Eu fiquei olhando o trânsito a minha frente. Toda sexta feira a noite era exatamente igual. Eu parava no café ao lado do escritório só pra não ter que acumular mais estresse com a hora do rush. Ficava ali entre um cappuccino e outro observando o ir e vir constante das pessoas e suas rotinas até a cidade se acalmar um pouco e enfim poder voltar pra casa tranquila.
Peguei uma mesa externa para aproveitar a paisagem e notei uma menina ao lado emburrada porque o pedido havia demorado e vindo completamente errado. Lembrei que em certa época da minha vida tudo era capaz de acabar com meu dia. Tudo mesmo. Até se eu não encontrasse o secador de cabelo já virava motivo pra anunciar o fim do mundo e ficar com um mal humor terrível. Com o tempo percebi que se a gente se importar com tudo, principalmente com as pequenas coisas, a vida passa e só o que fica é o arrependimento.
Enquanto revirava meu café e refletia, cheguei a conclusão de que sempre acreditei demais nas pessoas. É que eu sempre recebi de braços abertos qualquer um que quisesse entrar na minha vida e participar da bagunça. Eu achava que vivia em um filme, daqueles de comédia romântica sabe, que a mocinha encontra seu par por acaso e depois das trapalhadas vem o felizes para sempre. O problema é que a gente deposita tanta responsabilidade no outro, nem sempre faz a nossa parte e depois reclama que não é feliz. É complicado. Mas sabe qual é o meu maior defeito? Eu sonho demais, fantasio demais. Qualquer um que chegue sorrindo e sendo gentil já me ganha e faz valer o dia. E ninguém precisa dizer que me ama, eu me iludo sozinha mesmo. As vezes você idealiza tanto um padrão com as suas preferências, que a primeira pessoa que aparece você tenta encaixar ali. Não dá. É como jogar Tetris e forçar uma vitória com a peça errada. Nunca vai dar certo, é sofrer a toa.
Hoje percebo que perdi a fé nas pessoas, deixei de ser aquela garota de primeiros sorrisos e carinhos gratuitos. Não por culpa minha ou de ninguém, mas a vida faz essas coisas né. A gente se joga de corpo e alma, espalha todo amor que tem no peito, até que uma hora ela encontra seu jeito de mostrar que não é bem assim que a banda toca. Que nem todo mundo merece o melhor que podemos ser. E pra ser sincera, algumas pessoas não valem esforço algum.
Enquanto pedia a conta me peguei sorrindo de lado, de repente senti uma vontade imensa de mostrar a aquela menina que a vida é bem mais que um dia ruim e que a cada amanhecer vai nascer também uma chance pra ser melhor. Eu queria ter dado um abraço, dito que algumas coisas não valem a dor de cabeça, a crise nervosa. Dito que se nada der certo é só colocar aquela música que faz feliz sem motivo e mentalizar um dia bom, mas não o fiz.
Eu simplesmente parei de esperar das pessoas, parei de criar expectativas. Percebi que é melhor deixar partir do que ser estilhaçada em mil pedaços por uma felicidade forçada. E sabe aquela que priorizava o sorriso do outro antes de tudo? Ficou pra trás. Não aceito mais migalhas porque sei que mereço o mundo. Quer ir? Vá, dou meu melhor sorriso e o mais sincero adeus, ninguém é insubstituível e hoje o único amor que preciso é o meu.
Baseado no Item 3 do projeto 642 coisas sobre as quais escrever O que você costumava fazer, porém agora não faz mais?

Nenhum comentário
Postar um comentário